Questão 130 — ENEM 2014 (Linguagens)

A forte presença de palavras indígenas e africanas e de termos trazidos pelos imigrantes a partir do século XIX é um dos traços que distinguem o português do Brasil e o português de Portugal. Mas, olhando para a história dos empréstimos que o português brasileiro recebeu de línguas europeias a partir do século XX, outra diferença também aparece: com a vinda ao Brasil da família real portuguesa (1808) e, particularmente, com a Independência, Portugal deixou de ser o intermediário obrigatório da assimilação desses empréstimos e, assim, Brasil e Portugal começaram a divergir, não só por terem sofrido influências diferentes, mas também pela maneira como reagiram a elas.

ILARI, R.; BASSO, R. O português da gente: a língua que estudamos, a língua que

falamos. São Paulo: Contexto, 2006.

Os empréstimos linguísticos, recebidos de diversas línguas, são importantes na constituição do português do Brasil porque

Resolução

A questão avalia a compreensão do conceito de empréstimos linguísticos e sua relação com a história e a identidade cultural do Brasil.

O texto afirma que palavras indígenas, africanas e de imigrantes europeus são traços que distinguem o português brasileiro. Isso mostra que a língua não evolui no vácuo — ela carrega as marcas dos contatos históricos de um povo: a colonização portuguesa, a escravidão africana, o contato com povos originários e as ondas de imigração a partir do século XIX. A alternativa correta expressa exatamente essa ideia: os empréstimos são importantes porque registram na língua a história vivida pela nação.

As demais alternativas apresentam distorções. Uma delas sugere que os empréstimos fundiram línguas diferentes em um único idioma — o que não ocorreu; o português incorporou palavras, não se fundiu com outros sistemas linguísticos. Outra propõe que a língua se tornou acessível a falantes de origens distintas, argumento que o texto não sustenta. Uma terceira afirma que os empréstimos aproximaram o Brasil de Portugal, quando o texto diz o contrário: a partir da Independência, as duas variantes passaram a divergir. Por fim, a ideia de que o português brasileiro seria mais complexo do que o de outros países lusófonos não tem qualquer base no texto.

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