Todo homem de bom juízo, depois que tiver realizado sua viagem, reconhecerá que é um milagre manifesto ter podido escapar de todos os perigos que se apresentam em sua peregrinação; tanto mais que há tantos outros acidentes que diariamente podem aí ocorrer que seria coisa pavorosa àqueles que aí navegam querer pô-los todos diante dos olhos quando querem empreender suas viagens.
J. P. T. Histoire de plusieurs voyages aventureux. 1600. In: DELUMEAU, J. História do
medo no Ocidente: 1300-1800. São Paulo: Cia. das Letras, 2009 (adaptado).
Esse relato, associado ao imaginário das viagens marítimas da época moderna, expressa um sentimento de
O texto é um relato de viagem do início do século XVII que integra a obra de Jean Delumeau sobre a história do medo no Ocidente. O conceito avaliado é a história das mentalidades, especificamente a percepção psicológica e cultural que os europeus tinham das navegações marítimas na época moderna.
O autor descreve os perigos da viagem como algo pavoroso de se contemplar e considera um milagre manifesto ter sobrevivido. Essas expressões revelam um sentimento de temor diante dos riscos desconhecidos do mar — tempestades, doenças, monstros imaginários, naufrágio —, característico do imaginário da época. O medo do desconhecido era um traço marcante da mentalidade moderna em relação ao oceano.
As demais alternativas não se sustentam: a ideia de gosto pela aventura seria o oposto do que o texto transmite, pois o autor aconselha cautela. O fascínio pelo fantástico tampouco é o foco — o texto trata de acidentes reais e não de maravilhas. Interesse pela natureza e purificação espiritual são temas completamente ausentes do relato.
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