Existe uma cultura política que domina o sistema e é fundamental para entender o conservadorismo brasileiro. Há um argumento, partilhado pela direita e pela esquerda, de que a sociedade brasileira é conservadora. Isso legitimou o conservadorismo do sistema político: existiriam limites para transformar o país, porque a sociedade é conservadora, não aceita mudanças bruscas. Isso justifica o caráter vagaroso da redemocratização e da redistribuição da renda. Mas não é assim. A sociedade é muito mais avançada que o sistema político. Ele se mantém porque consegue convencer a sociedade de que é a expressão dela, de seu conservadorismo.
NOBRE, M. Dois ismos que não rimam. Disponível em: www.unicamp.br.
Acesso em: 28 mar. 2014 (adaptado).
A característica do sistema político brasileiro, ressaltada no texto, obtém sua legitimidade da
O texto aborda o conceito de legitimação ideológica do sistema político brasileiro. O autor argumenta que o sistema político se mantém conservador ao difundir a ideia de que a própria sociedade é conservadora — ou seja, usa essa narrativa como justificativa para não promover mudanças estruturais, como a redistribuição de renda e a redemocratização plena.
Essa dinâmica é exatamente o que se entende por sustentação ideológica das desigualdades: o sistema convence a sociedade de que ele é apenas o reflexo dos valores dela, quando na verdade está impondo limites às transformações sociais para preservar o status quo e as desigualdades existentes. Trata-se de um mecanismo próximo ao conceito gramsciano de hegemonia, pelo qual o poder se mantém não pela força, mas pelo consentimento construído ideologicamente.
As demais alternativas não encontram respaldo no texto: não há menção à distribuição regional do poder econômico, à polarização partidária, à radicalidade de movimentos populares (o texto, aliás, sugere que a sociedade é mais avançada que o sistema) nem à eficiência administrativa.
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