
Os calendários são fontes históricas importantes, na medida em que expressam a concepção de tempo das sociedades. Essas imagens compõem um calendário medieval (1460-1475) e cada uma delas representa um mês, de janeiro a dezembro.
Com base na análise do calendário, apreende-se uma concepção de tempo
A questão avalia a capacidade de interpretar fontes históricas iconográficas — neste caso, um calendário medieval do século XV — e identificar a concepção de tempo que ele expressa.
O calendário apresenta doze cenas, cada uma representando um mês do ano. As imagens mostram trabalhadores rurais realizando atividades distintas ao longo do ciclo anual: plantar, podar, ceifar, vindimar (pisar uvas), abater animais, entre outras. Cada atividade corresponde diretamente ao que a natureza impõe em cada estação — semeio na primavera, colheita no verão/outono, abate no inverno.
Isso revela uma concepção de tempo natural, em que o ritmo da vida humana é ditado pelas estações do ano e pelos ciclos da natureza, não por relógios, dogmas religiosos ou ideais filosóficos. O tempo medieval camponês era organizado em torno do calendário agrícola.
A alternativa que fala em eterno retorno refere-se a uma categoria filosófica de origem grega/nietzschiana, que não é o que a imagem evidencia. A opção humanista pressupõe controle racional e individual do tempo, algo típico do Renascimento tardio, não deste calendário agrícola. A alternativa escatológica associaria o tempo ao fim dos tempos ou ao julgamento divino, o que não aparece nas cenas. A opção romântica seria anacrônica, pois o Romantismo é um movimento do século XIX.
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