Casa dos Contos
& em cada conto te cont
o & em cada enquanto me enca
nto & em cada arco te a
barco & em cada porta m
e perco & em cada lanço t
e alcanço & em cada escad
a me escapo & em cada pe
dra te prendo & em cada g
rade me escravo & em ca
da sótão te sonho & em cada
esconso me affonso & em
cada claúdio te canto & e
m cada fosso me enforco &
ÁVILA, A. Discurso da difamação do poeta. São Paulo: Summus, 1978.
O contexto histórico e literário do período barroco- árcade fundamenta o poema Casa dos Contos, de 1975. A restauração de elementos daquele contexto por uma poética contemporânea revela que
O poema Casa dos Contos, de Affonso Ávila, foi escrito em 1975, durante a ditadura militar brasileira. O poeta evoca a Casa dos Contos de Ouro Preto — espaço historicamente ligado à Inconfidência Mineira — e recupera nomes como Cláudio (Cláudio Manuel da Costa, inconfidente que morreu preso) e Affonso (o próprio poeta), além de termos carregados de opressão: grade, escravo, fosso, enforco.
A alternativa correta identifica que o eu lírico recria, no seu próprio tempo histórico (a ditadura), e por meio de uma linguagem de ruptura — visual, fragmentada, sonora —, o mesmo ambiente de opressão que os inconfidentes viveram no século XVIII. Há, portanto, um diálogo entre passado e presente: a repressão colonial ressoa na repressão contemporânea.
As demais alternativas falham porque: uma afirma que o aspecto plástico prevalece sobre a dimensão social, quando na verdade ambos coexistem a serviço da crítica; outra limita o poema à memória factual da Inconfidência, sem considerar o presente do poeta; uma terceira reduz o alcance do poema ao desencanto com a utopia e ao eruditivismo; e a quarta fala em continuidade de procedimentos barrocos, mas o poema opera justamente por ruptura estética, não por continuidade.
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