Questão 119 — ENEM 2015 (Linguagens)

TEXTO I

Um ato de criatividade pode contudo gerar um modelo produtivo. Foi o que ocorreu com a palavra sambódromo, criativamente formada com a terminação -(ó)dromo (= corrida), que figura em hipódromo, autódromo, cartódromo, formas que designam itens culturais da alta burguesia. Não demoraram a circular, a partir de então, formas populares como rangódromo, beijódromo, camelódromo.

AZEREDO, J. C. Gramática Houaiss da língua portuguesa. São Paulo: Publifolha, 2008.

TEXTO II

Existe coisa mais descabida do que chamar de sambódromo uma passarela para desfile de escolas de samba? Em grego, -dromo quer dizer “ação de correr, lugar de corrida”, daí as palavras autódromo e hipódromo. É certo que, às vezes, durante o desfile, a escola se atrasa é obrigada a correr para não perder pontos, mas não se desloca com a velocidade de um cavalo ou de um carro de Fórmula 1.

GULLAR, F. Disponível em: www1.folha.uol.com.br. Acesso em: 3 ago. 2012.

Há nas línguas mecanismos geradores de palavras. Embora o Texto II apresente um julgamento de valor sobre a formação da palavra sambódromo, o processo de formação dessa palavra reflete

Resolução

Esta questão avalia a compreensão dos mecanismos de formação de palavras e a capacidade de distinguir entre um julgamento subjetivo sobre o uso da língua e o que o fenômeno linguístico realmente representa.

O Texto I explica que sambódromo foi formada criativamente a partir do elemento grego -(ó)dromo, originalmente ligado à ideia de corrida. Mesmo que esse morfema não seja semanticamente preciso para designar uma passarela de samba, o processo gerou um modelo produtivo: novas palavras como rangódromo, beijódromo e camelódromo passaram a circular, todas criadas pelo mesmo mecanismo. O Texto II apresenta uma crítica de valor sobre a adequação semântica do termo, mas isso não invalida o fenômeno linguístico em si.

O que a formação de sambódromo demonstra, portanto, é o dinamismo da língua: a capacidade que ela tem de adaptar elementos existentes para nomear novas realidades, mesmo que o sentido original do morfema não corresponda exatamente ao novo contexto. Esse é o princípio dos neologismos por derivação.

As demais alternativas estão incorretas porque: a língua não foi limitada pela nova realidade — pelo contrário, expandiu-se; a formação não foi inadequada nem restrita, mas produtiva e criativa; e não houve qualquer reconhecimento oficial de impropriedade que freasse o processo.

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