A natureza fez os homens tão iguais, quanto às faculdades do corpo e do espírito, que, embora por vezes se encontre um homem manifestamente mais forte de corpo, ou de espírito mais vivo do que outro, mesmo assim, quando se considera tudo isto em conjunto, a diferença entre um e outro homem não é suficientemente considerável para que um deles possa com base nela reclamar algum benefício a que outro não possa igualmente aspirar.
HOBBES, T. Leviatã. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
Para Hobbes, antes da constituição da sociedade civil, quando dois homens desejavam o mesmo objeto, eles
A questão avalia o conceito hobbesiano de estado de natureza, condição pré-política descrita em Leviatã. O trecho apresenta a premissa central de Hobbes: os homens são naturalmente iguais em faculdades físicas e mentais, o que tem uma consequência decisiva — se nenhum homem é suficientemente superior ao outro para dominá-lo com segurança, qualquer disputa por um mesmo objeto resulta em conflito direto.
No estado de natureza, não existe lei comum, não existe autoridade legítima e não existe poder coercitivo capaz de conter os impulsos individuais. Quando dois homens cobiçam o mesmo bem e não podem obtê-lo simultaneamente, a igualdade natural os torna inimigos: cada um teme que o outro o destrua primeiro, gerando a célebre condição de guerra de todos contra todos (bellum omnium contra omnes).
As alternativas que mencionam clérigos, anciãos ou governantes são incompatíveis com o estado de natureza porque pressupõem instituições sociais que, para Hobbes, ainda não existem nesse estágio. A solidariedade também contradiz sua visão do ser humano como fundamentalmente movido pelo interesse próprio e pelo medo da morte — é justamente para escapar desse conflito permanente que os homens celebram o contrato social e constituem o Estado (o Leviatã).
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