Sentimos que toda satisfação de nossos desejos advinda do mundo assemelha-se à esmola que mantém hoje o mendigo vivo, porém prolonga amanhã a sua fome. A resignação, ao contrário, assemelha-se à fortuna herdada: livra o herdeiro para sempre de todas as preocupações.
SCHOPENHAUER, A. Aforismo para a sabedoria da vida. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
O trecho destaca uma ideia remanescente de uma tradição filosófica ocidental, segundo a qual a felicidade se mostra indissociavelmente ligada à
O trecho de Schopenhauer utiliza duas metáforas para opor dois modos de vida: a satisfação dos desejos é comparada à esmola que alimenta o mendigo hoje, mas perpetua sua dependência amanhã; já a resignação é comparada à herança que liberta definitivamente o herdeiro de qualquer preocupação.
O conceito avaliado é a ideia, presente na tradição filosófica ocidental — especialmente no estoicismo (Epicteto, Marco Aurélio, Sêneca) e com ressonâncias no pensamento de Schopenhauer —, de que a felicidade verdadeira não depende de bens externos ou da satisfação de desejos, mas sim do domínio e da independência interior. Renunciar às paixões e aos apetites é o que garante a liberdade permanente do sujeito.
A alternativa correta expressa exatamente esse princípio: a felicidade está ligada à capacidade de gerir a própria vida interior, sem depender do mundo externo para se sentir satisfeito.
As demais alternativas desviam do texto: a busca de prazeres efêmeros é justamente o que a metáfora da esmola critica, não defende. Relacionamentos afetivos, conhecimento empírico e liberdade religiosa não são abordados pelo argumento schopenhauerian apresentado.
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