Quem procura a essência de um conto no espaço que fica entre a obra e seu autor comete um erro: é muito melhor procurar não no terreno que fica entre o escritor e sua obra, mas justamente no terreno que fica entre o texto e seu leitor.
OZ, A. De amor e trevas. São Paulo: Cia. das Letras, 2005 (fragmento).
A progressão temática de um texto pode ser estruturada por meio de diferentes recursos coesivos, entre os quais se destaca a pontuação. Nesse texto, o emprego dos dois pontos caracteriza uma operação textual realizada com a finalidade de
A questão avalia a habilidade de reconhecer recursos coesivos na estruturação do texto, com foco no uso dos dois pontos como operador textual.
No fragmento, o autor afirma que buscar a essência de um conto no espaço entre a obra e seu autor "comete um erro". Em seguida, os dois pontos introduzem um enunciado que esclarece e fundamenta essa afirmação, explicando onde, de fato, a essência deve ser buscada — no espaço entre o texto e o leitor.
Portanto, os dois pontos desempenham a função de introduzir um argumento esclarecedor: o que vem após a pontuação não é uma consequência, uma comparação nem uma gradação, mas sim uma explicação que sustenta e elucida a tese apresentada antes.
As demais alternativas não se sustentam: não há elementos opostos sendo comparados de forma direta; não há gradação de ideias; o texto não intensifica um problema conceitual, e a construção não expressa hipótese alguma.
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