Questão 125 — ENEM 2016 (Linguagens)

O filme Menina de ouro conta a história de Maggie Fitzgerald, uma garçonete de 31 anos que vive sozinha em condições humildes e sonha em se tornar uma boxeadora profissional treinada por Frankie Dunn.
Em uma cena, assim que o treinador atravessa a porta do corredor onde ela se encontra, Maggie o aborda e, a caminho da saída, pergunta a ele se está interessado em treiná-la. Frankie responde: “Eu não treino garotas”. Após essa fala, ele vira as costas e vai embora. Aqui, percebemos, em Frankie, um comportamento ancorado na representação de que boxe é esporte de homem e, em Maggie, a superação da concepção de que os ringues são tradicionalmente masculinos.
Historicamente construída, a feminilidade dominante atribui a submissão, a fragilidade e a passividade a uma “natureza feminina”. Numa concepção hegemônica dos gêneros, feminilidades e masculinidades encontram-se em extremidades opostas.
No entanto, algumas mulheres, indiferentes às convenções sociais, sentem-se seduzidas e desafiadas a aderirem à prática das modalidades consideradas masculinas. É o que observamos em Maggie, que se mostra determinada e insiste em seu objetivo de ser treinada por Frankie.

FERNANDES, V.; MOURÃO, L. Menina de ouro e a representação de feminilidades plurais.

Movimento, n. 4, out.-dez. 2014 (adaptado).

A inserção da personagem Maggie na prática corporal do boxe indica a possibilidade da construção de uma feminilidade marcada pela

Resolução

A questão avalia a compreensão sobre a construção social de gênero e o papel do corpo nas práticas esportivas, com foco no conceito de feminilidades plurais em oposição à feminilidade hegemônica.

O texto deixa claro que a feminilidade dominante associa à mulher atributos como submissão, fragilidade e passividade, enquanto o boxe é historicamente percebido como espaço masculino. Ao insistir em treinar nessa modalidade, Maggie não está se adequando ao que se espera de uma mulher — ela está rompendo barreiras socialmente impostas e ocupando um espaço de predomínio masculino. Isso configura, portanto, a transposição de limites de gênero, e não sua aceitação ou naturalização.

As alternativas que sugerem adequação ou aceitação de padrões sociais contradizem o que o texto descreve: Maggie age contra as convenções, não em conformidade com elas. Da mesma forma, a alternativa que fala em naturalizar barreiras inverte o sentido da ação da personagem — ela as desafia, não as normaliza.

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