Pirro afirmava que nada é nobre nem vergonhoso, justo ou injusto; e que, da mesma maneira, nada existe do ponto de vista da verdade; que os homens agem apenas segundo a lei e o costume, nada sendo mais isto do que aquilo. Ele levou uma vida de acordo com esta doutrina, nada procurando evitar e não se desviando do que quer que fosse, suportando tudo, carroças, por exemplo, precipícios, cães, nada deixando ao arbítrio dos sentidos.
LAÉRCIO, D. Vidas e sentenças dos filósofos ilustres. Brasília: Editora UnB, 1988.
O ceticismo, conforme sugerido no texto, caracteriza-se por:
A questão aborda o ceticismo pirrônico, corrente filosófica fundada por Pirro de Élis (c. 360–270 a.C.), que defende a suspensão do juízo (epoché) diante de qualquer afirmação sobre a realidade.
O trecho deixa claro que, para Pirro, nada pode ser afirmado com certeza — nem o bem nem o mal, nem o justo nem o injusto existem por natureza. O conhecimento humano é limitado pelos sentidos e pelos costumes, tornando impossível qualquer certeza absoluta. Diante dessa impossibilidade, o cético adota a indiferença (ataraxia) como postura de vida, não se perturbando com nenhum julgamento.
A alternativa correta resume com precisão esse núcleo doutrinário: a indiferença prática e a impossibilidade de certeza são as marcas centrais do ceticismo descrito no texto.
As demais alternativas descrevem outras correntes: a busca pelo prazer como fim da vida feliz é traço do epicurismo; a ação virtuosa para enaltecer o homem bom e belo remete à ética aristotélica; o determinismo com esperança transcendente aproxima-se do estoicismo ou de visões religiosas. Quanto a desprezar convenções, o próprio texto mostra que Pirro seguia as leis e costumes — não por acreditá-los verdadeiros, mas por ausência de razão para contrariá-los.
Todas as questões do ENEM · Simulado ENEM — questões com gabarito e explicação, grátis e sem cadastro.