A sociologia ainda não ultrapassou a era das construções e das sínteses filosóficas. Em vez de assumir a tarefa de lançar luz sobre uma parcela restrita do campo social, ela prefere buscar as brilhantes generalidades em que todas as questões são levantadas sem que nenhuma seja expressamente tratada. Não é com exames sumários e por meio de intuições rápidas que se pode chegar a descobrir as leis de uma realidade tão complexa. Sobretudo, generalizações às vezes tão amplas e tão apressadas não são suscetíveis de nenhum tipo de prova.
DURKHEIM, E. O suicídio: estudo de sociologia. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
O texto expressa o esforço de Émile Durkheim em construir uma sociologia com base na
O trecho evidencia a crítica de Durkheim à sociologia de seu tempo, marcada por grandes sínteses filosóficas e generalizações apressadas que não poderiam ser verificadas ou provadas. Ao rejeitar as intuições rápidas e as especulações filosóficas, Durkheim defendia que a sociologia deveria adotar o mesmo rigor metodológico das ciências naturais — observação sistemática, coleta de dados empíricos e demonstração de leis a partir de provas concretas. Esse posicionamento está na base do positivismo sociológico, pelo qual os fatos sociais devem ser tratados como coisas, isto é, analisados objetivamente, de fora, sem julgamentos subjetivos ou comprometimentos filosóficos. A alternativa correta expressa exatamente essa adesão ao modelo científico-natural como parâmetro para a sociologia. As demais alternativas contradizem o argumento do texto: a vinculação com a filosofia é o que Durkheim critica; as percepções intuitivas são rejeitadas explicitamente; hipóteses subjetivas contrariam o método objetivo proposto; e o engajamento político não tem relação com a proposta metodológica apresentada.
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