Vi os homens sumirem-se numa grande tristeza. Os melhores cansaram-se das suas obras. Proclamou-se uma doutrina e com ela circulou uma crença: Tudo é oco, tudo é igual, tudo passou! O nosso trabalho foi inútil; o nosso vinho tornou-se veneno; o mau olhado amareleceu-nos os campos e os corações. Secamos de todo, e se caísse fogo em cima de nós, as nossas cinzas voariam em pó. Sim; cansamos o próprio fogo. Todas as fontes secaram para nós, e o mar retirou-se. Todos os solos se querem abrir, mas os abismos não nos querem tragar!
NIETZSCHE, F. Assim falou Zaratustra. Rio de Janeiro: Ediouro, 1977.
O texto exprime uma construção alegórica, que traduz um entendimento da doutrina niilista, uma vez que
O trecho de Assim falou Zaratustra, de Nietzsche, apresenta uma alegoria sobre o niilismo — a doutrina filosófica que proclama a ausência de sentido, valor e propósito na existência. As imagens utilizadas (campos amarelecidos, fontes secas, mar que se retira, cinzas que voam) não devem ser lidas literalmente, mas como representações simbólicas de um mundo que perdeu seus fundamentos espirituais e culturais.
A alternativa correta é a que afirma que o texto destaca a decadência da cultura. O narrador descreve um colapso coletivo: os melhores homens cansaram-se de suas obras, o trabalho tornou-se inútil, o vinho (símbolo de celebração e vida) virou veneno. Tudo isso expressa alegoricamente a visão niilista de que os valores tradicionais da civilização ocidental estão esgotados e em decomposição — uma crítica direta à decadência cultural.
As demais alternativas não se sustentam: o texto não trata de liberdade do cidadão, nem exalta valores do cotidiano, nem discute relações de produção econômica. Quanto ao sentimento de ansiedade, embora o texto transmita angústia, esse não é o conceito central construído pela alegoria — o foco é o esvaziamento e a decadência, não a tensão ansiosa em si.
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