Questão 42 — ENEM 2016 (Humanas)

Não estou mais pensando como costumava pensar. Percebo isso de modo mais acentuado quando estou lendo. Mergulhar num livro, ou num longo artigo, costumava ser fácil. Isso raramente ocorre atualmente. Agora minha atenção começa a divagar depois de duas ou três páginas. Creio que sei o que está acontecendo. Por mais de uma década venho passando mais tempo on-line, procurando e surfando e algumas vezes acrescentando informação à grande biblioteca da internet. A internet tem sido uma dádiva para um escritor como eu. Pesquisas que antes exigiam dias de procura em jornais ou na biblioteca agora podem ser feitas em minutos. Como disse o teórico da comunicação Marshall McLuhan nos anos 60, a mídia não é apenas um canal passivo para o tráfego de informação. Ela fornece a matéria, mas também molda o processo de pensamento. E o que a net parece fazer é pulverizar minha capacidade de concentração e contemplação.

CARR, N. Is Google making us stupid? Disponível em: www.theatlantic.com.

Acesso em: 17 fev. 2013 (adaptado).

Em relação à internet, a perspectiva defendida pelo autor ressalta um paradoxo que se caracteriza por

Resolução

O texto é um fragmento do ensaio de Nicholas Carr em que o autor reflete sobre o impacto da internet em seus hábitos de leitura e pensamento. O conceito central avaliado é o paradoxo: uma situação em que dois elementos aparentemente contraditórios coexistem.

O paradoxo identificado pelo autor é preciso: a internet representa uma abundância de informações — ele a chama de dádiva, pois pesquisas que antes levavam dias agora se resolvem em minutos — mas, ao mesmo tempo, essa mesma ferramenta pulveriza sua capacidade de concentração e contemplação, resultando em uma experiência superficial de leitura e pensamento. Há ganho quantitativo de informação e perda qualitativa de profundidade cognitiva: esse é o paradoxo.

A alternativa correta captura exatamente essa tensão entre a riqueza informacional da rede e o empobrecimento da experiência de leitura e reflexão do autor.

As demais alternativas distorcem o argumento do texto: uma delas inverte a ideia de McLuhan citada pelo autor, que afirma justamente o oposto da passividade da recepção — a mídia molda ativamente o pensamento. As outras introduzem elementos como desorganização da rede, aceleração do tempo e comparação com tecnologia analógica, que não aparecem no texto.

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