Textos e hipertextos: procurando o equilíbrio
Há um medo por parte dos pais e de alguns professores de as crianças desaprenderem quando navegam, medo de elas viciarem, de obterem informação não confiável, de elas se isolarem do mundo real, como se o computador fosse um agente do mal, um vilão. Esse medo é reforçado pela mídia, que costuma apresentar o computador como um agente negativo na aprendizagem e na socialização dos usuários. Nós sabemos que ninguém corre o risco de desaprender quando navega, seja em ambientes digitais ou em materiais impressos, mas é preciso ver o que se está aprendendo e algumas vezes interferir nesse processo a fim de otimizar ou orientar a aprendizagem, mostrando aos usuários outros temas, outros caminhos, outras possibilidades diferentes daquelas que eles encontraram sozinhos ou daquelas que eles costumam usar. É preciso, algumas vezes, negociar o uso para que ele não seja exclusivo, uma vez que há outros meios de comunicação, outros meios de informação e outras alternativas de lazer. É uma questão de equilibrar e não de culpar.
COSCARELLI, C. V. Linguagem em (Dis)curso, n. 3, set.-dez. 2009.
A autora incentiva o uso da internet pelos estudantes, ponderando sobre a necessidade de orientação a esse uso, pois essa tecnologia
A questão avalia a interpretação textual e a capacidade de identificar a tese central de um texto argumentativo.
A autora não condena o uso da internet, mas também não ignora os riscos apontados pela sociedade. Seu argumento principal é que a orientação e o equilíbrio no uso dessa tecnologia são a chave para que ela funcione como ferramenta de aprendizagem. O trecho "é preciso ver o que se está aprendendo e algumas vezes interferir nesse processo a fim de otimizar ou orientar a aprendizagem, mostrando aos usuários outros temas, outros caminhos, outras possibilidades" sustenta diretamente a alternativa correta: quando o uso é direcionado, a tecnologia amplia o conhecimento de mundo do estudante.
As demais alternativas distorcem o texto: uma delas atribui à internet a exclusividade como fonte confiável, o que contradiz a menção à informação não confiável; outra defende a proibição, posição oposta à da autora; uma terceira reproduz exatamente o medo que a autora refuta; e a última também descreve o temor social criticado no texto, não a posição da autora.
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