Questão 45 — ENEM 2017 (Linguagens)

TEXTO I

RAUSCHENBERG, R. Cama. Óleo e lápis em travesseiro, colcha e folha em suporte de madeira.

191,1 x 80 x 20,3 cm. Museu de Arte Moderna de Nova York, 1995.

Disponível em: www.moma.org. Acesso em: 8 jun. 2017.

TEXTO II

No verão de 1954, o artista Robert Rauschenberg (n.1925) criou o termo combine para se referir a suas novas obras que possuíam aspectos tanto da pintura como da escultura. Em 1958, Cama foi selecionada para ser incluída em uma exposição de jovens artistas americanos e italianos no Festival dos Dois Mundos em Spoleto, na Itália. Os responsáveis pelo festival, entretanto, se recusaram a expor a obra e a removeram para um depósito. Embora o mundo da arte debatesse a inovação de se pendurar uma cama numa parede, Rauschenberg considerava sua obra “um dos quadros mais acolhedores que já pintei, mas sempre tive medo de que alguém quisesse se enfiar nela”.

DEMPSEY, A. Estilos, escolas e movimentos: guia enciclopédico da arte moderna.

São Paulo: Cosac & Naify, 2003.

A obra de Rauschenberg chocou o público na época em que foi feita, e recebeu forte influência de um movimento artístico que se caracterizava pela

Resolução

Esta questão avalia o conhecimento sobre movimentos artísticos do século XX, especialmente a relação entre a obra de Rauschenberg e a arte que incorpora objetos do cotidiano.

A obra Cama (1954) é um exemplo do que o próprio artista chamou de combine painting: uma fusão entre pintura e escultura que utiliza objetos reais do cotidiano — no caso, um travesseiro, uma colcha e um lençol — como suporte. Esse procedimento dialoga diretamente com o conceito de ready-made, criado por Marcel Duchamp, que consiste em apresentar objetos comuns e industriais como obras de arte. O movimento que melhor caracteriza essa prática é a Arte Pop e, sobretudo, o Neodadaísmo, que retomou o Dadaísmo ao explorar de forma insólita (incomum, surpreendente) elementos da vida cotidiana, questionando os limites entre arte e objeto ordinário. A alternativa correta descreve exatamente essa característica: a exploração insólita de elementos do cotidiano em diálogo com os ready-mades.

As demais alternativas descrevem outros movimentos: a dissolução de contornos e produção rápida remete ao Impressionismo; a repetição exaustiva e simplificação máxima ao Minimalismo; a incorporação de transformações tecnológicas e dinamismo ao Futurismo; e a geometrização das formas sem fidelidade ao real ao Cubismo — nenhum deles compatível com a proposta de Rauschenberg.

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