Uma pessoa vê-se forçada pela necessidade a pedir dinheiro emprestado. Sabe muito bem que não poderá pagar, mas vê também que não lhe emprestarão nada se não prometer firmemente pagar em prazo determinado. Sente a tentação de fazer a promessa; mas tem ainda consciência bastante para perguntar a si mesma: não é proibido e contrário ao dever livrar-se de apuros desta maneira? Admitindo que se decida a fazê-lo, a sua máxima de ação seria: quando julgo estar em apuros de dinheiro, vou pedi-lo emprestado e prometo pagá-lo, embora saiba que tal nunca sucederá.
KANT, I. Fundamentação da metafísica dos costumes. São Paulo: Abril Cultural, 1980.
De acordo com a moral kantiana, a “falsa promessa de pagamento” representada no texto
A questão avalia o conceito central da ética kantiana: o imperativo categórico, especialmente em sua primeira formulação — a universalizabilidade da máxima de ação.
Kant propõe que uma ação só é moralmente válida se a sua máxima puder ser universalizada, ou seja, se pudermos querer que ela se torne uma lei válida para todos os seres racionais. A falsa promessa falha nesse teste: se todos prometessem pagar sabendo que não pagariam, a própria instituição da promessa se destruiria — ninguém mais emprestaria dinheiro baseado em promessas. A máxima se autoanula ao ser universalizada, o que a torna moralmente proibida.
A alternativa correta afirma exatamente isso: a falsa promessa contradiz o princípio de que toda ação humana deve poder valer como norma universal.
As demais alternativas descrevem outras teorias éticas: a ideia de aceitação por livre discussão participativa remete à ética do discurso de Habermas; a preocupação com a vida futura na Terra remete à ética da responsabilidade de Hans Jonas; a justificação dos meios pelos fins é característica do consequencialismo; e a busca da maior felicidade para o maior número é o princípio do utilitarismo de Bentham e Mill — todas estranhas ao pensamento kantiano.
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