Se, pois, para as coisas que fazemos existe um fim que desejamos por ele mesmo e tudo o mais é desejado no interesse desse fim; evidentemente tal fim será o bem, ou antes, o sumo bem. Mas não terá o conhecimento, porventura, grande influência sobre essa vida? Se assim é, esforcemo-nos por determinar, ainda que em linhas gerais apenas, o que seja ele e de qual das ciências ou faculdades constitui o objeto. Ninguém duvidará de que o seu estudo pertença à arte mais prestigiosa e que mais verdadeiramente se pode chamar a arte mestra. Ora, a política mostra ser dessa natureza, pois é ela que determina quais as ciências que devem ser estudadas num Estado, quais são as que cada cidadão deve aprender, e até que ponto; e vemos que até as faculdades tidas em maior apreço, como a estratégia, a economia e a retórica, estão sujeitas a ela. Ora, como a política utiliza as demais ciências e, por outro lado, legisla sobre o que devemos e o que não devemos fazer, a finalidade dessa ciência deve abranger as das outras, de modo que essa finalidade será o bem humano.
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. In: Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 1991 (adaptado).
Para Aristóteles, a relação entre o sumo bem e a organização da pólis pressupõe que
A questão avalia a compreensão do conceito aristotélico de sumo bem e sua relação com a política como ciência suprema na organização da pólis.
No trecho da Ética a Nicômaco, Aristóteles argumenta que existe um fim último — o sumo bem — para o qual todas as ações humanas tendem. Em seguida, ele identifica a política como a arte mestra, pois é ela que determina quais ciências devem ser estudadas no Estado e regula as demais, incluindo a estratégia, a economia e a retórica. Como a política legisla sobre o que se deve ou não fazer e subordina todas as outras ciências, sua finalidade abrange a de todas elas: o bem humano.
Portanto, a alternativa correta afirma que a política é a ciência que precede todas as demais na organização da cidade, o que está explicitamente sustentado no texto quando Aristóteles diz que a política "determina quais as ciências que devem ser estudadas num Estado".
As demais alternativas contradizem o pensamento aristotélico: a ideia de que cada indivíduo persegue apenas seus interesses vai contra a concepção de que o bem individual é inseparável do bem coletivo; a referência à fé nos deuses ignora o caráter racional da ética aristotélica; a ênfase na consciência individual desvia o foco da dimensão política e coletiva central no texto; e a associação com a democracia não tem respaldo no trecho apresentado.
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