Questão 29 — ENEM 2018 (Linguagens)

TEXTO I

Também chamados impressões ou imagens fotogramáticas [...], os fotogramas são, numa definição genérica, imagens realizadas sem a utilização da câmera fotográfica, por contato direto de um objeto ou material com uma superfície fotossensível exposta a uma fonte de luz. Essa técnica, que nasceu junto com a fotografia e serviu de modelo a muitas discussões sobre a ontologia da imagem fotográfica, foi profundamente transformada pelos artistas da vanguarda, nas primeiras décadas do século XX. Representou mesmo, ao lado das colagens, fotomontagens e outros procedimentos técnicos, a incorporação definitiva da fotografia à arte moderna e seu distanciamento da representação figurativa.

COLUCCI, M. B. Impressões fotogramáticas e vanguardas: as experiências de Man Ray.

Studium, n. 2, 2000.

TEXTO II

RAY, M. Rayograph, 1922. 23,9 x 29,9 cm. MOMA, Nova York.

Disponível em: www.moma.org.

Acesso em: 18 abr. 2018 (adaptado).

No fotograma de Man Ray, o “distanciamento da representação figurativa” a que se refere o Texto I manifesta-se na

Resolução

A questão avalia a compreensão da técnica do fotograma e sua relação com as vanguardas artísticas do início do século XX, especialmente no que diz respeito ao afastamento da representação figurativa tradicional.

O Texto I explica que os fotogramas representaram, para a arte moderna, um distanciamento da representação figurativa. Ao observar a obra Rayograph de Man Ray (1922), percebe-se que a imagem é produzida sem câmera, por contato direto de objetos com papel fotossensível exposto à luz. O resultado é uma composição de contornos imprecisos, formas fragmentadas e tonalidades difusas de luz e sombra, em que os objetos originais perdem sua identidade reconhecível.

A alternativa correta aponta exatamente para essa composição experimental, fragmentada e de contornos difusos: a imagem não reproduz fielmente nenhum objeto identificável, distanciando-se da figuração por meio de uma experimentação formal que caracteriza as vanguardas.

As demais alternativas se equivocam: uma delas restringe a obra ao Surrealismo como corrente específica, quando o contexto é mais amplo das vanguardas; outra atribui ao acaso uma crítica deliberada ao realismo, o que extrapola o que a imagem e o texto sustentam; outra propõe uma abstração voltada para a própria linguagem fotográfica, o que seria mais adequado a obras conceituais posteriores; e a última contradiz diretamente o texto ao sugerir imitação de formas humanas, enquanto o Texto I fala justamente em distanciamento da representação.

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