Questão 51 — ENEM 2018 (Humanas)

Desde que tenhamos compreendido o significado da palavra “Deus”, sabemos, de imediato, que Deus existe. Com efeito, essa palavra designa uma coisa de tal ordem que não podemos conceber nada que lhe seja maior. Ora, o que existe na realidade e no pensamento é maior do que o que existe apenas no pensamento. Donde se segue que o objeto designado pela palavra “Deus”, que existe no pensamento, desde que se entenda essa palavra, também existe na realidade. Por conseguinte, a existência de Deus é evidente.

TOMÁS DE AQUINO. Suma teológica.

Rio de Janeiro: Loyola, 2002.

O texto apresenta uma elaboração teórica de Tomás de Aquino caracterizada por

Resolução

O texto apresenta o argumento ontológico para a existência de Deus, característico da filosofia escolástica medieval. A escolástica buscava harmonizar a razão filosófica (especialmente a lógica aristotélica) com a doutrina cristã, demonstrando racionalmente aquilo que a fé já afirmava.

No trecho, o raciocínio parte da própria definição da palavra "Deus" (aquilo de que nada maior pode ser concebido) e, por via lógica, conclui que Deus necessariamente existe na realidade — pois existir na realidade é maior do que existir apenas no pensamento. Trata-se, portanto, de um esforço intelectual para fundamentar racionalmente uma verdade de fé, o que define precisamente a alternativa correta.

As demais opções se afastam do que o texto efetivamente faz: não há menção a hereges nem defesa de ortodoxia por oposição; o texto não aborda as virtudes teologais (fé, esperança e caridade); não propõe flexibilizar interpretações dos textos sagrados; e o argumento não é pragmático — ele não justifica a crença por suas consequências práticas, nem prescinde de dogmas, já que a existência de Deus é o próprio dogma que se pretende demonstrar.

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