Questão 53 — ENEM 2018 (Humanas)

Foi-se o tempo em que era possível mostrar um mundo econômico organizado em camadas bem definidas, onde grandes centros urbanos se ligavam, por si próprios, a economias adjacentes “lentas”, com o ritmo muito mais rápido do comércio e das finanças de longo alcance. Hoje tudo ocorre como se essas camadas sobrepostas estivessem mescladas e interpermeadas. Interdependências de curto e longo alcance não podem mais ser separadas umas das outras.

BRENNER, N. A globalização como reterritorialização. Cadernos Metrópole,

n. 24, jul.-dez. 2010 (adaptado).

A maior complexidade dos espaços urbanos contemporâneos ressaltada no texto explica-se pela

Resolução

O texto de Neil Brenner discute como a globalização transformou a organização dos espaços urbanos, tornando-os muito mais complexos do que no passado. Antes, havia camadas bem definidas: grandes centros urbanos conectados a economias adjacentes mais lentas, com hierarquias claras entre o local, o regional e o global.

O argumento central é que essas camadas hoje estão mescladas e interpermeadas — ou seja, interdependências de curto e longo alcance não podem mais ser separadas. Isso descreve exatamente o conceito de redes multiescalares: conexões que operam simultaneamente em múltiplas escalas geográficas (local, regional, nacional e global), articulando-as de forma indissociável.

As demais alternativas remetem a processos administrativos ou político-territoriais (expansão metropolitana, emancipação de municípios, domínios jurídicos, regiões administrativas) que não capturam a essência do fenômeno descrito: a sobreposição e interpenetração de fluxos econômicos e financeiros em diferentes escalas espaciais, característica central da globalização contemporânea.

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