A poetisa Emília Freitas subiu a um palanque, nervosa, pedindo desculpas por não possuir títulos nem conhecimentos, mas orgulhosa ofereceu a sua pena que “sem ser hábil, é, em compensação, guiada pelo poder da vontade”. Maria Tomásia pronunciava orações que levantavam os ouvintes. A escritora Francisca Clotilde arrebatava, declamando seus poemas. Aquelas “angélicas senhoras”, “heroínas da caridade”, levantavam dinheiro para comprar liberdades e usavam de seu entusiasmo a fim de convencer os donos de escravos a fazerem alforrias gratuitamente.
MIRANDA, A. Disponível em: www.opovoonline.com.br.
Acesso em: 10 jun. 2015.
As práticas culturais narradas remetem, historicamente, ao movimento
O texto descreve mulheres que discursavam em palanques, arrecadavam dinheiro para comprar liberdades e persuadiam senhores a conceder alforrias gratuitas a escravizados. Essas práticas culturais e sociais são características do movimento abolicionista brasileiro, que ganhou força nas décadas de 1860 a 1888, culminando com a Lei Áurea.
As demais alternativas não se sustentam: o movimento feminista luta por direitos das mulheres de forma ampla, e o sufragista especificamente pelo direito ao voto feminino — embora mulheres participassem do abolicionismo, o foco do texto não é a emancipação feminina. O movimento socialista centra-se na crítica à propriedade privada e às relações de trabalho capitalistas. O movimento republicano, embora contemporâneo, voltava-se à substituição da monarquia por uma república. Nenhum desses corresponde ao conteúdo narrado, que aponta diretamente para a luta pela libertação dos escravizados.
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