A primeira fase da dominação da economia sobre a vida social acarretou, no modo de definir toda realização humana, uma evidente degradação do ser para o ter. A fase atual, em que a vida social está totalmente tomada pelos resultados da economia, leva a um deslizamento generalizado do ter para o parecer, do qual todo ter efetivo deve extrair seu prestígio imediato e sua função última. Ao mesmo tempo, toda realidade individual tornou-se social, diretamente dependente da força social, moldada por ela.
DEBORD, G. A sociedade do espetáculo.
Rio de Janeiro: Contraponto, 2015.
Uma manifestação contemporânea do fenômeno descrito no texto é o(a)
O texto de Guy Debord descreve a evolução da sociedade capitalista em dois momentos: primeiro, a substituição do ser pelo ter (a identidade passa a ser definida pelo que se possui); depois, a substituição do ter pelo parecer (o que importa não é mais o que se tem, mas a aparência que se projeta socialmente).
Esse conceito central da Sociedade do Espetáculo encontra sua manifestação mais evidente na exposição nos meios de comunicação — especialmente nas redes sociais e mídias digitais contemporâneas, onde indivíduos constroem e exibem imagens de si mesmos para obter prestígio, reconhecimento e pertencimento social. O valor de uma experiência, conquista ou bem só se realiza quando exibido e validado publicamente.
As demais alternativas contradizem a lógica do espetáculo: a valorização do conhecimento acumulado remete ao ser; o aprofundamento espiritual e o fortalecimento de relações autênticas são justamente o que Debord aponta como destruído pela lógica espetacular; e o reconhecimento artístico é um campo restrito, não o fenômeno generalizado descrito no texto.
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