Então disse: “Este é o local onde construirei. Tudo pode chegar aqui pelo Eufrates, o Tigre e uma rede de canais. Só um lugar como este sustentará o exército e a população geral”. Assim ele traçou e destinou as verbas para a sua construção, e deitou o primeiro tijolo com sua própria mão, dizendo: “Em nome de Deus, e em louvor a Ele. Construí, e que Deus vos abençoe”.
AL-TABARI, M. Uma história dos povos árabes.
São Paulo: Cia. das Letras, 1995 (adaptado).
A decisão do califa Al-Mansur (754-775) de construir Bagdá nesse local orientou-se pela
Esta questão avalia a capacidade de interpretar uma fonte histórica primária para identificar os critérios geopolíticos que orientaram a expansão do Califado Abássida no século VIII.
O trecho de Al-Tabari deixa explícito o raciocínio do califa: a escolha do local de Bagdá foi motivada pela existência de vias fluviais (Eufrates, Tigre e canais) que permitiriam o fluxo de pessoas e mercadorias, além da capacidade do território de sustentar economicamente o exército e a população. Isso evidencia que a decisão se baseou na disponibilidade de rotas de comunicação e comércio combinada com a fertilidade da região como fundamento do poder político — características da Mesopotâmia, historicamente chamada de "berço da civilização".
As demais alternativas contradizem o texto: não há menção a populações próximas para demonstrar força bélica, nem à submissão à lei islâmica como fator decisório. A ideia de fuga da península arábica não é sustentada — a escolha foi estratégica, não de esquiva. Por fim, a contenção dos mongóis é anacrônica, pois esse povo só ameaçou o Oriente Médio no século XIII, mais de 400 anos após Al-Mansur.
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