Questão 50 — ENEM 2019 (Humanas)

A hospitalidade pura consiste em acolher aquele que chega antes de lhe impor condições, antes de saber e indagar o que quer que seja, ainda que seja um nome ou um “documento” de identidade. Mas ela também supõe que se dirija a ele, de maneira singular, chamando-o portanto e reconhecendo-lhe um nome próprio: “Como você se chama?” A hospitalidade consiste em fazer tudo para se dirigir ao outro, em lhe conceder, até mesmo perguntar seu nome, evitando que essa pergunta se torne uma “condição”, um inquérito policial, um fichamento ou um simples controle das fronteiras. Uma arte e uma poética, mas também toda uma política dependem disso, toda uma ética se decide aí.

DERRIDA, J. Papel-máquina. São Paulo:

Estação Liberdade, 2004 (adaptado).

Associado ao contexto migratório contemporâneo, o conceito de hospitalidade proposto pelo autor impõe a necessidade de

Resolução

A questão trata do conceito de hospitalidade em Derrida, aplicado ao contexto das migrações contemporâneas. O autor defende uma hospitalidade que acolhe o outro antes de impor condições, exigências ou verificações — uma abertura ao estrangeiro que reconhece sua singularidade sem transformá-la em objeto de controle.

Esse tipo de acolhimento pressupõe reconhecer e integrar aquele que chega como sujeito diferente, com sua própria identidade e cultura, ou seja, pressupõe a incorporação da alteridade: aceitar o outro em sua diferença, incluindo-o sem apagar quem ele é.

As demais alternativas contrariam o espírito do texto: anular a diferença e cristalizar a biografia negam a singularidade do outro; suprimir a comunicação impede justamente o diálogo que Derrida valoriza ("como você se chama?"); e verificar a proveniência remete ao "controle das fronteiras" e ao "inquérito policial" que o autor explicitamente rejeita como formas de condicionar a hospitalidade.

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