Localizado a 160 km da cidade de Porto Velho (capital do estado de Rondônia), nos limites da Reserva Extrativista Jaci-Paraná e Terra Indígena Karipunas, o povoado de União Bandeirantes surgiu em 2000 a partir de movimentos de camponeses, madeireiros, pecuaristas e grileiros que, à revelia do ordenamento territorial e diante da passividade governamental, demarcaram e invadiram terras na área rural fundando a vila. Atualmente, constitui-se na região de maior produção agrícola e leiteira do município de Porto Velho, fornecendo, inclusive, alimentos para a Hidrelétrica de Jirau.
SILVA, R. G. C. Amazônia globalizada — o exemplo de Rondônia.
Confins, n. 23, 2015 (adaptado).
A dinâmica de ocupação territorial descrita foi decorrente da
A questão trata do conceito de frentes pioneiras, um processo histórico de expansão da ocupação humana sobre áreas de vegetação nativa na Amazônia, geralmente marcado pela ausência de planejamento estatal, pela ocupação espontânea e conflituosa de terras por posseiros, madeireiros, pecuaristas e grileiros, e pela conversão de áreas de floresta em espaços de produção agropecuária.
O caso de União Bandeirantes descreve exatamente esse padrão: um povoado surgido em 2000 a partir da invasão e demarcação irregular de terras por diferentes agentes sociais, à revelia do ordenamento territorial e da fiscalização governamental, consolidando-se depois como área de produção agrícola e leiteira. Essa dinâmica de avanço desordenado sobre a fronteira agrícola amazônica é o que caracteriza uma frente pioneira, diferentemente de projetos estatais planejados.
As demais opções não se aplicam ao caso: não houve mecanização como fator de ocupação inicial, não se trata de colonização dirigida (que pressupõe planejamento e condução pelo Estado), não há reforma agrária (política formal de redistribuição de terras) e o fenômeno ocorre em área rural, não configurando expansão de franjas urbanas.
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