Questão 105 — ENEM 2020 (Natureza)

Grupos de proteção ao meio ambiente conseguem resgatar muitas aves aquáticas vítimas de vazamentos de petróleo. Essas aves são lavadas com água e detergente neutro para a retirada completa do óleo de seu corpo e, posteriormente, são aquecidas, medicadas, desintoxicadas e alimentadas. Mesmo após esses cuidados, o retorno ao ambiente não pode ser imediato, pois elas precisam recuperar a capacidade de flutuação.

Para flutuar, essas aves precisam

Resolução

Esta questão avalia o conceito de impermeabilização das penas das aves aquáticas e sua relação com a flutuação.

Aves aquáticas possuem uma glândula uropigeana (glândula do óleo) que produz uma cera impermeabilizante, que as próprias aves espalham pelas penas durante o comportamento de preening (auto-limpeza). Essa camada de cera impede que a água penetre na plumagem, mantendo uma camada de ar entre as penas e o corpo — o que garante a flutuação e o isolamento térmico.

Quando essas aves são contaminadas por petróleo e lavadas com detergente neutro, a cera protetora é removida junto com o óleo. Sem essa camada, a água penetra nas penas, tornando-as encharcadas e pesadas, o que impossibilita a flutuação e também compromete o isolamento térmico.

Por isso, antes de retornar ao ambiente, a ave precisa refazer a camada de cera impermeabilizante, o que ocorre naturalmente ao longo do tempo com a produção contínua da glândula uropigeana e o comportamento de preening.

As demais alternativas descrevem condições importantes para a saúde geral da ave, mas nenhuma está diretamente ligada à capacidade de flutuação: o tônus muscular relaciona-se ao movimento; a massa corporal à nutrição; a substituição de penas danificadas ocorre na muda natural; e a homeotermia, embora também afetada pela perda da cera, é consequência — não a causa direta da perda de flutuação.

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