Questão 21 — ENEM 2020 (Linguagens)

Sou o coração do folclore nordestino

Eu sou Mateus e Bastião do Boi-bumbá

Sou o boneco de Mestre Vitalino

Dançando uma ciranda em Itamaracá

Eu sou um verso de Carlos Pena Filho

Num frevo de Capiba

Ao som da Orquestra Armorial

Sou Capibaribe

Num livro de João Cabral

Sou mamulengo de São Bento do Una

Vindo no baque solto de maracatu

Eu sou um auto de Ariano Suassuna

No meio da Feira de Caruaru

Sou Frei Caneca do Pastoril do Faceta

Levando a flor da lira

Pra Nova Jerusalém

Sou Luiz Gonzaga

E sou do mangue também

Eu sou mameluco, sou de Casa Forte

Sou de Pernambuco, sou o Leão do Norte

LENINE; PINHEIRO, P.C. Leão do Norte. In: LENINE; SUZANO, M. Olho de peixe.

São Paulo: Velas, 1993 (fragmento).

O fragmento faz parte da canção brasileira contemporânea e celebra a cultura popular nordestina. Nele, o artista exalta as diferentes manifestações culturais pela

Resolução

A questão avalia a compreensão de manifestações da cultura popular nordestina e a capacidade de identificar referências culturais, históricas e geográficas presentes em um texto poético-musical.

A canção funciona como um inventário afetivo da cultura de Pernambuco: o eu lírico se identifica com lugares específicos do estado (Itamaracá, Capibaribe, São Bento do Una, Caruaru, Casa Forte, Nova Jerusalém) e com manifestações culturais concretas — o Boi-bumbá, a ciranda, o mamulengo, o maracatu, o frevo e os autos —, além de personalidades pernambucanas como Mestre Vitalino, Carlos Pena Filho, Capiba, João Cabral de Melo Neto, Ariano Suassuna, Frei Caneca e Luiz Gonzaga. A alternativa correta sintetiza exatamente esse movimento: a canção se constrói pela identificação de lugares e manifestações culturais pernambucanas, apresentando-se como uma referência à cultura popular nordestina.

As demais alternativas são imprecisas ou parciais. Uma delas erra ao afirmar que o popular é transformado em erudito — a canção justapõe os dois registros sem hierarquizá-los. Outra restringe a análise apenas ao aspecto musical e ao teatro religioso, ignorando a diversidade de referências. Uma terceira foca apenas em festas populares como identidade localizada, desconsiderando os personagens históricos e literários presentes. E uma quarta, embora liste corretamente vários elementos, usa uma linguagem genérica demais que não captura o caráter pernambucano e localizado que estrutura toda a letra.

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