Sou o coração do folclore nordestino
Eu sou Mateus e Bastião do Boi-bumbá
Sou o boneco de Mestre Vitalino
Dançando uma ciranda em Itamaracá
Eu sou um verso de Carlos Pena Filho
Num frevo de Capiba
Ao som da Orquestra Armorial
Sou Capibaribe
Num livro de João Cabral
Sou mamulengo de São Bento do Una
Vindo no baque solto de maracatu
Eu sou um auto de Ariano Suassuna
No meio da Feira de Caruaru
Sou Frei Caneca do Pastoril do Faceta
Levando a flor da lira
Pra Nova Jerusalém
Sou Luiz Gonzaga
E sou do mangue também
Eu sou mameluco, sou de Casa Forte
Sou de Pernambuco, sou o Leão do Norte
LENINE; PINHEIRO, P.C. Leão do Norte. In: LENINE; SUZANO, M. Olho de peixe.
São Paulo: Velas, 1993 (fragmento).
O fragmento faz parte da canção brasileira contemporânea e celebra a cultura popular nordestina. Nele, o artista exalta as diferentes manifestações culturais pela
A questão avalia a compreensão de manifestações da cultura popular nordestina e a capacidade de identificar referências culturais, históricas e geográficas presentes em um texto poético-musical.
A canção funciona como um inventário afetivo da cultura de Pernambuco: o eu lírico se identifica com lugares específicos do estado (Itamaracá, Capibaribe, São Bento do Una, Caruaru, Casa Forte, Nova Jerusalém) e com manifestações culturais concretas — o Boi-bumbá, a ciranda, o mamulengo, o maracatu, o frevo e os autos —, além de personalidades pernambucanas como Mestre Vitalino, Carlos Pena Filho, Capiba, João Cabral de Melo Neto, Ariano Suassuna, Frei Caneca e Luiz Gonzaga. A alternativa correta sintetiza exatamente esse movimento: a canção se constrói pela identificação de lugares e manifestações culturais pernambucanas, apresentando-se como uma referência à cultura popular nordestina.
As demais alternativas são imprecisas ou parciais. Uma delas erra ao afirmar que o popular é transformado em erudito — a canção justapõe os dois registros sem hierarquizá-los. Outra restringe a análise apenas ao aspecto musical e ao teatro religioso, ignorando a diversidade de referências. Uma terceira foca apenas em festas populares como identidade localizada, desconsiderando os personagens históricos e literários presentes. E uma quarta, embora liste corretamente vários elementos, usa uma linguagem genérica demais que não captura o caráter pernambucano e localizado que estrutura toda a letra.
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