É difícil imaginar que nos anos 1990, num país com setores da população na pobreza absoluta e sem uma rede de benefícios sociais em que se apoiar, um governo possa abandonar o papel de promotor de programas de geração de emprego, de assistência social, de desenvolvimento da infraestrutura e de promoção de regiões excluídas, na expectativa de que o mercado venha algum dia a dar uma resposta adequada a tudo isso.
SORJ, B. A nova sociedade brasileira. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2000 (adaptado).
Nesse contexto, a criticada postura dos governos frente à situação social do país coincidiu com a priorização de que medidas?
A questão avalia a compreensão do neoliberalismo e suas consequências sociais no Brasil dos anos 1990. O texto critica governos que abdicaram do papel intervencionista do Estado — deixando de investir em emprego, assistência social e infraestrutura — e delegaram ao mercado a resolução dos problemas sociais.
Essa postura corresponde à agenda neoliberal adotada no período, que priorizou reformas macroeconômicas estruturais — como abertura comercial, privatizações e ajuste fiscal — e, principalmente, o controle da inflação, cujo marco foi o Plano Real (1994). A estabilidade monetária tornou-se o eixo central da política econômica, em detrimento dos programas sociais estatais.
As demais alternativas contradizem a lógica neoliberal: expandir empresas estatais e bancos públicos vai de encontro à privatização; democratizar crédito habitacional foi uma política posterior; reduzir tributos de forma ampla não foi o foco (a carga tributária cresceu no período); e a reformulação do ensino superior não era prioridade da agenda econômica desses governos.
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