O cântico da terra
Eu sou a terra, eu sou a vida.
A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.
E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranquilo dormirás.
Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
CORALINA, C. Textos e contextos: poemas dos becos de Goiás e estórias mais.
São Paulo: Global, 1997 (fragmento).
No contexto das distintas formas de apropriação da terra, o poema de Cora Coralina valoriza a relação entre
O poema de Cora Coralina apresenta a terra como uma entidade que sustenta e acolhe o lavrador, fornecendo instrumentos de trabalho, alimento, vestuário e, ao fim da vida, o repouso eterno. Essa relação íntima e de dependência mútua entre o ser humano e a natureza é característica do campesinato, grupo social que vive diretamente do trabalho com a terra, extraindo dela os recursos necessários à sobrevivência sem a mediação de grandes estruturas capitalistas.
A alternativa correta descreve exatamente isso: a valorização da relação entre camponeses e o uso da natureza, uma vez que o poema exalta o trabalho rural de pequena escala, a subsistência e a conexão orgânica entre o homem e a terra.
As demais alternativas evocam sujeitos sociais cujas práticas não correspondem ao retrato poético: grileiros se apropriam ilegalmente de terras; meeiros têm relação contratual de partilha da produção; indígenas possuem vínculo ancestral e agroecológico específico; latifundiários controlam grandes extensões com fins comerciais. Nenhum desses perfis é compatível com a figura do lavrador simples celebrada no poema.
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