Se for possível, manda-me dizer:
— É lua cheia. A casa está vazia —
Manda-me dizer, e o paraíso
Há de ficar mais perto, e mais recente
Me há de parecer teu rosto incerto.
Manda-me buscar se tens o dia
Tão longo como a noite. Se é verdade
Que sem mim só vês monotonia.
E se te lembras do brilho das marés
De alguns peixes rosados
Numas águas
E dos meus pés molhados, manda-me dizer:
— É lua nova —
E revestida de luz te volto a ver.
HILST, H. Júbilo, memória, noviciado da paixão. São Paulo: Cia. das Letras, 2018.
Falando ao outro, o eu lírico revela-se vocalizando um desejo que remete ao
O poema de Hilda Hilst apresenta um eu lírico que se dirige ao ser amado ausente, pedindo que lhe envie mensagens sobre a lua — símbolos que funcionam como sinais de reencontro. A questão avalia a capacidade de interpretar o eu lírico e identificar o estado emocional expresso no poema.
A alternativa correta indica o sonho de autorrealização desenhado pela memória. O eu lírico não apenas deseja o retorno do amado, mas constrói esse desejo apoiado em lembranças concretas e sensoriais: o brilho das marés, os peixes rosados, os pés molhados. Essas memórias não são simples saudade passiva — elas alimentam um sonho de plenitude, expresso em versos como "o paraíso / Há de ficar mais perto" e "revestida de luz te volto a ver". A realização do eu depende do outro, e a memória é o caminho que desenha esse projeto.
As demais alternativas não se sustentam: o tom do poema é de esperança e anseio, não de ceticismo nem de tédio. Também não há qualquer julgamento moral do ser amado que se afastou, nem questionamento sobre o que é o amor — o que existe é certeza do sentimento e desejo ativo de reencontro.
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