Questão 80 — ENEM 2021 (Humanas)

Numa sociedade em transição, a marcha da mudança, em diferentes graus, está impressa em todos os aspectos da ordem social, especialmente no jogo político, que nessas sociedades sempre apresenta padrões característicos de ambivalência, cujas raízes sociais se encontram na coexistência de dois padrões de estrutura social: o padrão tradicional, em declínio, e o novo, emergente, em expansão. Em tais situações, é possível encontrar, simultaneamente, apoio para uma orientação política ou para outra que seja exatamente o seu oposto. O padrão ambivalente do processo político, nas sociedades em desenvolvimento, é o que explica um dos seus traços mais salientes, e que consiste na tendência ao adiamento das grandes decisões. Resulta daí que a inércia política ou a convulsão política podem se suceder uma à outra em períodos surpreendentemente curtos.

PINTO, L. A. C. Sociologia e desenvolvimento. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1975 (adaptado).

De acordo com a perspectiva apresentada, central no pensamento social brasileiro dos anos 1950 e 1960, o desenvolvimento do país foi marcado por

Resolução

O texto de Costa Pinto aborda o conceito de ambivalência política em sociedades em transição, um tema central no pensamento social brasileiro das décadas de 1950 e 1960. O autor argumenta que, nessas sociedades, a coexistência entre o padrão social tradicional (em declínio) e o padrão moderno (emergente) gera conflitos e contradições que se refletem diretamente na esfera política.

A alternativa correta aponta para os descompassos na construção de quadros institucionais modernos. Esse descompasso é exatamente o que o autor descreve: a sobreposição de estruturas antigas e novas impede que as instituições modernas se consolidem de forma plena e coerente. Isso gera a tendência ao adiamento das grandes decisões e a alternância entre inércia e convulsão política — traço saliente do desenvolvimento brasileiro segundo essa perspectiva.

As demais alternativas contradizem o argumento central. O texto não descreve radicalidade nas elites, mas sim ambivalência e hesitação. Também não trata de anomalias em planos econômicos ortodoxos nem de legitimidade de movimentos classistas. A ideia de lentidão no aperfeiçoamento de programas partidários é muito específica e não captura o argumento estrutural do autor, que se refere à tensão entre modernidade e tradição nas instituições como um todo.

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