TEXTO I

EIGENHEER, E. M. Lixo: a limpeza urbana através dos tempos. Porto Alegre: Gráfica Palloti, 2009.
TEXTO II
A repugnante tarefa de carregar lixo e os dejetos da casa para as praças e praias era geralmente destinada ao único escravo da família ou ao de menor status ou valor. Todas as noites, depois das dez horas, os escravos conhecidos popularmente como “tigres” levavam tubos ou barris de excremento e lixo sobre a cabeça pelas ruas do Rio.
KARASCH, M. C. A vida dos escravos no Rio de Janeiro, 1808-1850. Rio de Janeiro: Cia. das Letras, 2000.
A ação representada na imagem e descrita no texto evidencia uma prática do cotidiano nas cidades no Brasil nos séculos XVIII e XIX caracterizada pela
A questão articula uma gravura histórica e um trecho bibliográfico para avaliar a compreensão sobre o cotidiano da sociedade escravista brasileira nos séculos XVIII e XIX.
A imagem retrata escravizados carregando barris sobre a cabeça pelas ruas do Rio de Janeiro — os chamados "tigres", nome popular dado a esses trabalhadores forçados que transportavam dejetos e lixo doméstico até as praças e praias da cidade. O texto de Karasch reforça que essa tarefa considerada repugnante era deliberadamente atribuída ao escravo de menor status ou valor dentro da própria hierarquia escrava.
Esse dado é central: dentro de uma sociedade já profundamente estratificada pela escravidão, existia ainda uma hierarquia interna entre os próprios escravizados. As funções mais degradantes cabiam aos de menor "valor" social, o que demonstra a reiteração — ou seja, a reprodução contínua — das hierarquias sociais no cotidiano urbano colonial.
As demais alternativas não se sustentam: a prática não valorizava o trabalho (era uma imposição degradante), não havia qualquer dimensão sagrada ou religiosa nessa atividade, e o contexto aprofundava as exclusões econômicas e sociais em vez de superá-las ou ressignificá-las.
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