Questão 20 — ENEM 2022 (Linguagens)

Seis em cada dez pessoas com 15 anos ou mais não praticam esporte ou atividade física. São mais de 100 milhões de sedentários. Esses são dados do estudo Práticas de esporte e atividade física, da Pnad 2015, realizado pelo IBGE. A falta de tempo e de interesse são os principais motivos apontados para o sedentarismo. Paralelamente, 73,3% das pessoas de 15 anos ou mais afirmaram que o poder público deveria investir em esporte ou atividades físicas. Observou-se uma relação direta entre escolaridade e renda na realização de esportes ou atividades físicas. Enquanto 17,3% das pessoas que não tinham instrução realizavam diversas práticas corporais, esse percentual chegava a 56,7% das pessoas com superior completo. Entre as pessoas que têm práticas de esporte e atividade física regulares, o percentual de praticantes ia de 31,1%, na classe sem rendimento, a 65,2%, na classe de cinco salários mínimos ou mais. A falta de tempo foi mais declarada pela população adulta, com destaque entre as pessoas de 25 a 39 anos. Entre os adolescentes de 15 a 17 anos, o principal motivo foi não gostarem ou não quererem. Já o principal motivo para praticar esporte, declarado por 11,2 milhões de pessoas, foi relaxar ou se divertir, seguido de melhorar a qualidade de vida ou o bem-estar. A falta de instalação esportiva acessível ou nas proximidades foi um motivo pouco citado, demonstrando que a não prática estaria menos associada à infraestrutura disponível.

Disponível em: www.esporte.gov.br. Acesso em: 9 ago. 2017 (adaptado).

Com base na pesquisa e em uma visão ampliada de saúde, para a prática regular de exercícios ter influência significativa na saúde dos brasileiros, é necessário o desenvolvimento de estratégias que

Resolução

Esta questão avalia a compreensão dos determinantes sociais da saúde e a chamada visão ampliada de saúde, que reconhece que o bem-estar não depende apenas de escolhas individuais, mas de fatores estruturais como renda, educação, cultura e acesso a serviços.

A pesquisa apresenta dados que evidenciam uma relação direta entre escolaridade e renda com a prática de exercícios físicos: pessoas com maior nível de instrução chegam a 56,7% de praticantes, contra 17,3% entre as sem instrução; e pessoas com renda acima de cinco salários mínimos atingem 65,2% de praticantes, contra 31,1% entre as sem renda. Isso indica que o sedentarismo está fortemente associado a desigualdades socioeconômicas.

A alternativa correta identifica que, para que a prática de exercícios tenha impacto real na saúde da população, são necessárias ações integradas de educação e distribuição de renda — intervindo justamente nos fatores que a pesquisa aponta como determinantes da prática ou não de atividades físicas.

As demais alternativas são inadequadas porque: a que foca apenas em aptidão física ignora as causas estruturais do sedentarismo; a que propõe apenas combater o sedentarismo é genérica e não aponta estratégias concretas; a que sugere construção de instalações esportivas contradiz o próprio texto, que afirma que a falta de infraestrutura foi pouco citada como motivo; e a que trata de incentivos fiscais à iniciativa privada não tem respaldo nos dados apresentados.

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