Questão 37 — ENEM 2022 (Linguagens)

“Vida perfeita” em redes sociais pode afetar a saúde mental

Nas várias redes sociais que povoam a internet, os chamados digital influencers estão sempre felizes e pregam a felicidade como um estilo de vida. Essas pessoas espalham conteúdo para milhares de seguidores, ditando tendência e mostrando um estilo de vida sonhado por muitos, como o corpo esbelto, viagens incríveis, casas deslumbrantes, carros novos e alegria em tempo integral, algo bem improvável de ocorrer o tempo todo, aponta Carla Furtado, mestre em psicologia e fundadora do Instituto Feliciência.

A problemática pode surgir com a busca incessante por essa felicidade, que gera efeitos colaterais em quem consome diariamente a “vida perfeita” de outros. Daí vem o conceito de positividade tóxica: a expressão tem sido usada para abordar uma espécie de pressão pela adoção de um discurso positivo, aliada a uma vida editada para as redes sociais. Para manter a saúde mental e evitar ser atingido pela positividade tóxica, o uso racional das redes sociais é o mais indicado, aconselha a médica psiquiatra Renata Nayara Figueiredo, presidente da Associação Psiquiátrica de Brasília (APBr).

Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br. Acesso em: 21 nov. 2021 (adaptado).

Associada ao ideário de uma “vida perfeita”, a positividade tóxica mencionada no texto é um fenômeno social recente, que se constitui com base em

Resolução

O texto aborda o fenômeno da positividade tóxica, definida como uma pressão social para adotar um discurso positivo aliado a uma vida artificialmente editada nas redes sociais. A questão exige que o leitor identifique a base sobre a qual esse fenômeno se constitui, conforme descrito no texto.

A alternativa correta aponta que a positividade tóxica se fundamenta em representações estereotipadas e superficiais de felicidade. O texto confirma isso ao descrever influenciadores que estão "sempre felizes" e mostram "alegria em tempo integral, algo bem improvável de ocorrer o tempo todo". Ou seja, trata-se de uma imagem padronizada (estereotipada) e irreal (superficial) de bem-estar, que não corresponde à complexidade da experiência humana.

As demais alternativas são inadequadas porque: a ideia de ressignificação de conceitos implica uma transformação legítima de sentido, o que não ocorre aqui; o texto não restringe o fenômeno à sociedade brasileira nem o limita a questões de beleza física; e os influenciadores não são descritos como contraditórios, mas como propagadores de um modelo ilusório e uniforme de felicidade.

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