Eu estava pagando o sapateiro e conversando com um preto que estava lendo um jornal. Ele estava revoltado com um guarda civil que espancou um preto e amarrou numa árvore. O guarda civil é branco. E há certos brancos que transforma preto em bode expiatório. Quem sabe se guarda civil ignora que já foi extinta a escravidão e ainda estamos no regime da chibata?
JESUS, C. M. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 2014.
O texto, que guarda a grafia original da autora, expõe uma característica da sociedade brasileira, que é o(a):
O texto é um trecho do diário de Carolina Maria de Jesus, escritora negra e favelada que registrou sua vivência cotidiana na periferia de São Paulo. No fragmento, ela narra o espancamento de um homem negro por um guarda civil branco, refletindo sobre a persistência de práticas de violência e subjugação racial mesmo após a abolição da escravidão.
O conceito central avaliado é o de racismo estrutural: a ideia de que o racismo não é apenas um comportamento individual isolado, mas está enraizado nas instituições, nas relações sociais e nas estruturas de poder da sociedade. O guarda civil, representante do Estado, reproduz a lógica escravocrata ao tratar o homem negro como um bode expiatório — alguém sobre quem se descarrega a violência sem consequências. A autora questiona explicitamente se o agente do Estado sequer reconhece o fim da escravidão, evidenciando como práticas históricas de dominação racial persistem nas instituições.
As demais alternativas descrevem outros problemas sociais brasileiros — desemprego, desigualdade de renda, falta de acesso à informação e precariedade educacional —, mas nenhuma delas é o tema central do trecho, que trata especificamente da violência racial institucionalizada.
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