Questão 50 — ENEM 2022 (Humanas)

Na construção da ferrovia Madeira-Mamoré, o que dizer dos doentes, eternos moribundos a vagar entre delírios febris, doses de quinino e corredores da morte? O Hospital da Candelária era santuário e túmulo, monumento ao progresso científico e preâmbulo da escuridão. Foi ali, com suas instalações moderníssimas, que médicos e sanitaristas dirigiram seu combate aos males tropicais. As maiores vítimas, contudo, permaneceriam na sombra à margem do palco, cobaias sem consolo, credores sem nome de uma sociedade que não lhes concedera tempo algum para ser decifrada.

FOOT HARDMAN, F. Trem fantasma: modernidade na selva.

São Paulo: Cia. das Letras, 1988 (adaptado).

No texto, há uma crítica ao modo de ocupação do espaço amazônico pautada na

Resolução

O texto de Francisco Foot Hardman descreve a construção da ferrovia Madeira-Mamoré como símbolo do progresso e da modernidade na Amazônia, mas ao mesmo tempo denuncia o sofrimento e o anonimato dos trabalhadores que morreram durante a obra. A expressão "cobaias sem consolo, credores sem nome" evidencia que essas pessoas foram tratadas como instrumentos descartáveis do desenvolvimento, sem qualquer reconhecimento ou proteção social.

A crítica central do texto está na contradição entre o discurso do progresso nacional — representado pelo hospital moderno, pelos médicos e sanitaristas — e o total desrespeito às vidas dos trabalhadores, que permaneciam «à margem do palco», invisíveis e sem direitos. Essa tensão entre modernização e desumanização é o eixo da crítica ao modelo de ocupação amazônica.

As demais alternativas não encontram sustentação no texto: não há menção a desequilíbrio da fauna, a disputas entre maquinaria e floresta, à situação específica de povos indígenas, nem a conflito entre farmacologia e fitoterapia.

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