A história do Primeiro de Maio de 1890 — na França e na Europa, o primeiro de todos os Primeiros de Maio — é, sob vários aspectos, exemplar. Resultante de um ato político deliberado, essa manifestação ilustra o lado voluntário da construção de uma classe — a classe operária — à qual os socialistas tentam dar uma unidade política e cultural através daquela pedagogia da festa cujo princípio, eficácia e limites há muito tempo tinham sido experimentados pela Revolução Francesa.
PERROT, M. Os excluídos da história: operários, mulheres e prisioneiros.
Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.
Com base no texto, a fixação dessa data comemorativa tinha por objetivo
A questão avalia a compreensão sobre identidade de classe e memória coletiva no contexto do movimento operário do século XIX.
O texto de Michelle Perrot destaca que o Primeiro de Maio de 1890 foi um ato político deliberado dos socialistas para construir a classe operária como sujeito histórico unificado, conferindo-lhe unidade política e cultural. A expressão-chave é a "pedagogia da festa": a data comemorativa funcionava como um instrumento de formação de consciência coletiva, reunindo trabalhadores em torno de uma identidade comum e de interesses compartilhados. Por isso, afirmar uma identidade coletiva é a resposta correta — ela traduz exatamente o projeto socialista descrito no texto.
As demais alternativas se afastam do texto: a ideia de sentimento burguês contradiz o caráter operário e socialista da iniciativa; memória nacional e comunidade cívica remetem a projetos de unidade nacional, não de classe; e tradição popular sugere algo espontâneo, enquanto o texto enfatiza o caráter deliberado e político da construção dessa data.
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