Lá embaixo está o Açude Itans, com seu formigueiro a cavar a terra. É mesmo impressionante o esforço daquele formigar de homens ao sol, lavados em suor, que não param, em longas filas pacientes acompanhando centenas de burricos que sobem e descem, numa ciranda comovente e silenciosa, cada burrico com duas caixas de terra no lombo. É o labor organizado para a salvação da terra e do homem. Depois do semideserto que tanto nos acabrunhou o espírito por falta de chuvas, o esforço destes milhares de sertanejos, todos vestidos de brim mescla e calçando alpercatas, no combate consciente à esterilidade da natureza, com as famílias alojadas em pequeninas casas de taipa e telha — embrião de futura cidade — impressionava-nos profundamente.
VALLE, F. M. História do Açude Itans, município de Caicó (RN).
Brasília, 1994 (adaptado).
Na construção do empreendimento descrito, destaca-se a presença de
O texto descreve a construção do Açude Itans no semiárido nordestino, destacando o trabalho coletivo e organizado de milhares de sertanejos que, sob o sol e em condições adversas, movimentavam terra com auxílio de burricos para erguer o empreendimento.
O conceito central avaliado é a transformação do espaço geográfico pelo trabalho humano. O trecho menciona explicitamente que as famílias viviam em pequenas casas de taipa e telha descritas como "embrião de futura cidade", evidenciando que o esforço dos trabalhadores não apenas construía uma obra hídrica, mas também originava novos espaços de ocupação e convivência humana em uma região antes marcada pela esterilidade e pela seca.
As demais alternativas não encontram respaldo no texto: não há menção a engenheiros executando canais, nem a coronéis ampliando fazendas, nem a operários distribuindo água, nem a negociantes organizando comércio. O foco narrativo recai inteiramente sobre os trabalhadores sertanejos como agentes da construção e da transformação territorial.
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