TEXTO I
Como presença consciente no mundo não posso escapar à responsabilidade ética no meu mover-me no mundo. Se sou puro produto da determinação genética ou cultural ou de classe, sou irresponsável pelo que faço no meu mover-me no mundo e, se careço de responsabilidade, não posso falar em ética.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários
à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
TEXTO II
Paulo Freire construiu uma pedagogia da esperança. Na sua concepção, a história não é algo pronto e acabado. As estruturas de opressão e as desigualdades, apesar de serem naturalizadas, são sócio e historicamente construídas. Daí a importância de os educandos tomarem consciência da sua realidade para, assim, transformá-la.
DEMARCHI, J. L. Paulo Freire. Disponível em: https://diplomatique.org.br.
Acesso em: 6 out. 2021 (adaptado).
Com base no conceito de ética pedagógica presente nos textos, os educandos tornam-se responsáveis pela
Essa questão avalia a compreensão do conceito de ética pedagógica em Paulo Freire, articulando responsabilidade, consciência crítica e transformação social.
No Texto I, Freire afirma que ser um agente ético pressupõe presença consciente no mundo: se o ser humano fosse mero produto do determinismo genético, cultural ou de classe, não haveria responsabilidade e, portanto, não haveria ética. Logo, a ética nasce da capacidade de agir conscientemente e assumir as consequências desse agir.
No Texto II, essa ideia se conecta à pedagogia da esperança: as estruturas de opressão e desigualdade são construídas histórica e socialmente — não são naturais nem imutáveis. Por isso, os educandos devem tomar consciência de sua realidade para transformá-la. Essa transformação é, por essência, coletiva e política.
A alternativa correta indica a participação sociopolítica, pois é exatamente o engajamento consciente na vida social e política que expressa a responsabilidade ética freiriana: perceber as estruturas de opressão e agir para mudá-las.
As demais alternativas se afastam do tema central: definição estético-cultural remete a identidade, não à ação transformadora; competição econômica contradiz a solidariedade freiriana; manutenção do sistema escolar é o oposto da transformação proposta; e capacitação de mobilidade individual reduz a ética a um projeto pessoal, ignorando a dimensão coletiva e política defendida por Freire.
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