Questão 68 — ENEM 2023 (Humanas)

O masseiro, a mulher, e quatro filhos, dormindo numa tapera de quatro paredes de caixão, coberta de zinco. A água do mangue, na maré cheia, ia dentro de casa. Os maruins de noite encalombavam o corpo dos meninos. O mangue tinha ocasião que fedia, e os urubus faziam ponto por ali atrás dos petiscos. Perto da rua lavavam couro de boi, pele de bode para o curtume de um espanhol. Morria peixe envenenado, e quando a maré secava, os urubus enchiam o papo, ciscavam a lama, passeando banzeiros pelas biqueiras dos mocambos no Recife.

RÊGO, J. L. O moleque Ricardo. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1966 (adaptado).

A aglomeração urbana representada no texto resulta em

Resolução

O texto descreve as condições de vida em um mocambo (habitação precária) às margens do mangue no Recife, revelando um cenário de degradação ambiental causada pela ocupação humana desordenada: água contaminada, poluição do mangue, animais mortos e urubus se alimentando dos resíduos.

O conceito avaliado é a relação entre aglomeração urbana e a modificação do espaço geográfico. A ocupação intensa e desordenada de áreas de mangue transforma profundamente o ambiente natural — alterando o ecossistema, comprometendo a fauna e a flora e degradando a qualidade de vida. Isso caracteriza uma interferência no espaço geográfico, ou seja, a ação humana modificando e degradando o meio em que vive.

As demais alternativas contradizem o que o texto apresenta: o meio rural não é conservado, pois há expansão urbana sobre área de mangue; a vegetação ciliar não cresce, ao contrário, é degradada; o ambiente urbano não está em equilíbrio, e os animais (urubus, maruins) proliferam justamente pela ausência de controle sanitário.

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