A Língua da Tabatinga, falada na cidade de Bom Despacho, Minas Gerais, foi por muito tempo estigmatizada devido à sua origem e à própria classe social de seus falantes, pois, segundo uma pesquisadora, era falada por "meninos pobres vindos da Tabatinga ou de Cruz de Monte — ruas da periferia da cidade cujos habitantes sempre foram tidos por marginais". Conhecida por antigos como a "língua dos engraxates", pois muitos trabalhadores desse ofício conversavam nessa língua enquanto lustravam sapatos na praça da matriz, a Língua da Tabatinga era utilizada por negros escravizados como uma espécie de "língua secreta", um código para trocarem informações de como conseguir alimentos, ou para planejar fugas de seus senhores sem risco de serem descobertos por eles.
De acordo com um documento do Iphan (2011), os falantes da língua apresentam uma forte consciência de sua relação com a descendência africana e da importância de preservar a "fala que os identifica na região". Essa mudança de compreensão tangencia aspectos de pertencimento, pois, à medida que o falante da Língua da Tabatinga se identifica com a origem afro-brasileira, ele passa a ver essa língua como um legado recebido e tem o cuidado de transmiti-la para outras gerações. A concentração de falantes dessa língua está na faixa entre 21 e 60 anos de idade.
Disponível em: www.historiaeparcerias2019.rj.anpuh.org.
Acesso em: 3 fev. 2024 (adaptado).
A Língua da Tabatinga tem sido preservada porque o(a)
O texto aborda a variação linguística e o conceito de identidade cultural, explorando como uma comunidade passa a valorizar sua própria língua ao reconhecê-la como parte de sua herança afro-brasileira.
A alternativa correta é sustentada diretamente pelo texto: os falantes passaram a ter "uma forte consciência de sua relação com a descendência africana" e a ver a língua como um "legado" a ser transmitido às gerações futuras. Esse processo de reconhecimento e valorização da própria língua como marca de pertencimento é exatamente a consolidação de um sentimento de identidade linguística.
As demais alternativas contradizem ou extrapolam o texto: não há menção à passagem para a escrita; o texto não afirma que a classe social dos falantes ganhou prestígio social, mas sim que houve uma mudança de percepção identitária; a função original era de código secreto entre escravizados, o que claramente não se mantém; e o perfil etário é citado apenas para descrever os falantes atuais, sem indicar que a homogeneidade etária seja a causa da preservação.
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