Questão 14 — ENEM 2024 (Linguagens)

Maranhenses que moram longe matam a saudade da terra natal usando expressões próprias do estado. Se o maranhês impressiona e desperta a curiosidade de quem mora no próprio Maranhão, imagine de quem vem de outros estados e países? A variedade linguística local é enorme e o modo de falar tão próprio e característico dos maranhenses vem conquistando muita gente e inspirando títulos e muito conteúdo digital com a criação de podcasts, blogs, perfis na internet, além de estampar diversos tipos de produtos e serviços de empresas locais.

Com saudades do Maranhão, morando há 16 anos no Rio de Janeiro, um fotógrafo maranhense criou um perfil na internet no qual compartilha a culinária, brincadeiras e o 'dicionário' maranhês. "A primeira vez que fui a uma padaria no Rio, na inocência, pedi 3 reais de 'pães misturados'. Quando falei isso, as pessoas pararam e me olharam de uma forma bem engraçada, aí já fiquei 'encabulado, ó' e o atendente sorriu e explicou que lá não existia pão misturado e, sim, pão francês e suíço. Depois foi a minha vez de explicar sobre os pães 'massa grossa e massa fina'", contou o fotógrafo, com humor.

Disponível em: https://oimparcial.com.br.

Acesso em: 1 nov. 2021 (adaptado).

A vivência relatada no texto evidencia que as variedades linguísticas

Resolução

Essa questão avalia o conceito de variedades linguísticas do português brasileiro. O texto narra a experiência de um fotógrafo maranhense que, ao pedir pão misturado em uma padaria no Rio de Janeiro, percebe que o mesmo produto recebe nomes diferentes em regiões distintas do país.

A situação ilustra que o português falado no Brasil não é uniforme: diferentes regiões desenvolvem vocabulários, expressões e modos de falar próprios. Essas diferenças não são erros nem exceções — elas constituem o próprio português brasileiro, ou seja, fazem parte da sua estrutura e riqueza. Por isso, a alternativa correta afirma que as variedades linguísticas são constitutivas do português brasileiro.

A alternativa que sugere impedimento do entendimento mútuo está incorreta porque, no relato, a comunicação foi reestabelecida com explicações — houve estranhamento, mas não incompreensão definitiva. A que fala em exaltar o português do Maranhão não tem respaldo no texto, que apresenta as variedades de forma neutra e curiosa. A que exige a dicionarização dos termos também não é sustentada, pois a solução foi a explicação oral espontânea. Por fim, a alternativa que restringe as variedades a situações coloquiais é equivocada: variedades regionais perpassam todos os contextos de uso da língua, não apenas os informais.

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