Volta e meia recebo cartinhas de fãs, e alguns são bem jovens, contando como meu trabalho com a música mudou a vida deles. Fico no céu lendo essas coisas e me emociono quando escrevem que não são aceitos pelos pais por serem diferentes, e como minhas músicas são uma companhia e os libertam nessas horas de solidão.
Sinto que é mais complicado ser jovem hoje, já que nunca tivemos essa superpopulação no planeta: haja competitividade, culto à beleza, ter filho ou não, estudar, ralar para arranjar trabalho, ser mal remunerado, ser bombardeado com trocentas informações, lavagens cerebrais...
Queria dar beijinhos e carinhos sem ter fim nessa moçada e dizer a ela que a barra é pesada mesmo, mas que a juventude está a seu favor e, de repente, a maré de tempestade muda. Diria também um monte de clichê: que vale a pena estudar mais, pesquisar mais, ler mais. Diria que não é sinal de saúde estar bem-adaptado a uma sociedade doente, que o que é normal para uma aranha é o caos para uma mosca.
Meninada, sintam-se beijados pela vovó Rita.
RITA LEE. Outra autobiografia. São Paulo: Globo Livros, 2023.
Como estratégia para se aproximar de seu leitor, a autora usa uma postura de empatia explicitada em
A questão avalia a capacidade de identificar estratégias discursivas de aproximação com o leitor, especificamente o uso da empatia como recurso comunicativo.
Empatia é a capacidade de compreender e compartilhar o sentimento do outro, colocando-se em seu lugar. A alternativa correta manifesta exatamente isso: ao afirmar "Sinto que é mais complicado ser jovem hoje", a autora usa um verbo de sentimento na primeira pessoa para validar e reconhecer a experiência do leitor jovem, demonstrando que compreende as dificuldades de ser jovem na atualidade. Esse posicionamento cria uma ponte emocional entre autora e leitor.
As demais alternativas não expressam empatia da mesma forma: mencionar que recebe cartas de fãs é apenas um relato factual; ficar emocionada ao ler as cartas descreve a reação pessoal da autora, não uma identificação com o outro; querer dar carinhos expressa afeto e carinho materno, mas não a compreensão da experiência alheia; e o comentário sobre adaptação à sociedade doente é uma reflexão crítica e filosófica, sem caráter empático direto.
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