Questão 73 — ENEM 2024 (Humanas)

As capas dos folhetos de cordel, já então ilustradas por postais fotográficos, desenhos ou fotogramas de filmes, demoravam mais de uma semana para serem transformadas em clichês em Recife ou Fortaleza, o que levou a que santeiros e artesãos locais fossem requisitados para cortar na umburana - madeira preferida para o taco xilográfico pela facilidade do talhe e abundância - princesas, dragões, cangaceiros.

CARVALHO, G. Xilogravura: os percursos da criação popular.

Revista do Instituto de Estudos Brasileiros,

n. 39, 1986 (adaptado).

No início do século XX, a incorporação da técnica de produção descrita no texto promoveu uma renovação da

Resolução

O texto descreve a incorporação da xilogravura (técnica de gravura em madeira) nas capas dos folhetos de cordel, substituindo o processo industrial de produção de clichês fotográficos que demandava mais de uma semana e dependia de centros urbanos distantes.

A alternativa correta é a que trata da estética editorial, pois a xilogravura transformou a aparência visual dos folhetos de cordel — a forma como essas publicações eram graficamente apresentadas ao público. Santeiros e artesãos passaram a gravar imagens de princesas, dragões e cangaceiros diretamente na madeira, criando uma identidade visual própria e marcante que se tornou símbolo do cordel nordestino.

As demais alternativas não se sustentam: a narrativa literária refere-se ao conteúdo textual, não à técnica de ilustração; a manifestação jornalística não é tratada no texto; a indústria regional foi, na verdade, contornada, não renovada; e a cultura erudita é oposta à natureza popular do cordel.

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