A democracia responde a esta pergunta: quem deve exercer o poder público? A resposta é: o exercício do poder público corresponde à coletividade dos cidadãos. Contudo, nessa pergunta não se fala sobre qual extensão deva ter o poder público. Trata-se somente de determinar o sujeito a quem o mando compete. A democracia propõe que mandemos todos; quer dizer, que todos intervenham nos fatos sociais.
ORTEGA Y GASSET, J. apud MAIA, E. C. Mario Vargas Llosa e o indivíduo para além da tribo. Disponível em: www.estadodaarte.estadao.com.br. Acesso em: 10 out. 2021 (adaptado).
O que sustenta o exercício do poder, conforme a configuração apresentada no texto escrito na década de 1920?
O texto de Ortega y Gasset apresenta a definição clássica de democracia como o regime político em que o poder público pertence à coletividade dos cidadãos. O conceito central avaliado é o de soberania popular — a ideia de que a legitimidade do poder emana do conjunto do povo, e não de um monarca, uma elite ou qualquer autoridade externa.
A alternativa que apresenta soberania popular é a única compatível com o texto, pois o autor afirma explicitamente que "o exercício do poder público corresponde à coletividade dos cidadãos" e que a democracia propõe que "todos intervenham nos fatos sociais".
As demais alternativas contradizem o argumento: divisão de classes e acúmulo de capital remetem a análises econômicas marxistas ou liberais, sem relação com o fundamento do poder democrático; defesa da propriedade evoca o liberalismo clássico, que limita — não universaliza — a participação política; e centralização administrativa é o oposto do ideal democrático de participação coletiva descrito no trecho.
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