O retrato como gênero da pintura ocidental ficou vinculado às elites, tornando invisíveis as populações que não faziam parte do círculo dominante. Num país de tradição escravocrata e colonizado por europeus como o Brasil, pouquíssimas pessoas negras e indígenas foram retratadas em pintura, e menos ainda identificadas com seus nomes nos retratos. Daí a importância, para a história da arte e para a história brasileira, dos retratos de Dalton Paula.

Ao dar protagonismo a Zeferina e a João de Deus Nascimento, o artista Dalton Paula evidencia que a(s)
A questão avalia a compreensão da função social da arte e das relações entre arte, identidade e representatividade. Os retratos de Dalton Paula reproduzidos retratam Zeferina, liderança quilombola, e João de Deus Nascimento, líder da Conjuração Baiana — personagens negras historicamente excluídas do gênero retrato, tradicionalmente reservado às elites.
Ao conceder protagonismo a essas figuras, identificando-as com seus nomes, o artista resgata a memória de sujeitos invisibilizados e reforça o pertencimento de grupos historicamente marginalizados. Assim, a alternativa correta mostra que a arte atua como meio de afirmação da identidade social de populações negras e indígenas, dando-lhes visibilidade e reconhecimento.
As demais alternativas estão incorretas: não se trata de comunidades periféricas adquirindo o gênero retrato, pois o foco é a representação de figuras históricas; as personagens não simbolizam toda a sociedade brasileira, mas grupos específicos antes excluídos; a pintura não é apresentada como instrumento de ascensão social dos retratados; e não se discute a preservação de memórias afetivas pessoais, mas sim a afirmação coletiva de identidade.
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