Questão 20 — ENEM 2025 (Linguagens)

A característica fundamental no aprendizado das práticas rituais nos candomblés é o processo iniciático e participante. Durante o período de reclusão em terreiros ou rocas, o iniciado passa por uma série de ritos esotéricos (banhos rituais, raspagem da cabeça etc.), ao mesmo tempo em que começa a adquirir um complexo código de símbolos materiais (substâncias, folhas, frutos, raízes etc.) e de gestos associados a um repertório linguístico específico das cerimônias que se desenrolam nos contextos sagrados em geral e em cada terreiro em particular.

Esse repertório linguístico, genericamente chamado de “língua de santo” na Bahia, compreende uma terminologia religiosa operacional, de caráter mágico-semântico e de aparente forma portuguesa, mas que repousa sobre sistemas lexicais de diferentes línguas africanas que provavelmente foram faladas no Brasil escravocrata, vindo a constituir uma língua ritual, que se acredita pertencer à nação do vodum, do orixá ou do inquice, e não a determinada nação africana política atual.

Disponível em: https://periodicos.ufba.br.

Acesso em: 21 jan. 2024 (adaptado).

A “língua de santo” tem sua importância para o patrimônio linguístico brasileiro por

Resolução

A questão avalia o conceito de patrimônio linguístico e a influência das línguas africanas na formação do português brasileiro, tema central nos estudos de sociolinguística cobrados pelo ENEM.

O texto explica que a língua de santo possui aparência portuguesa, mas repousa sobre sistemas lexicais de diferentes línguas africanas provavelmente faladas no Brasil escravocrata. Ou seja, ela preserva traços linguísticos dos povos africanos escravizados, tornando-se um repositório vivo desses falares. É justamente esse papel de conservação que justifica sua relevância para o patrimônio linguístico brasileiro.

As demais alternativas se equivocam ao deslocar o foco: a carga semântica mítica é uma característica funcional da língua, não o motivo de sua importância patrimonial. A ideia de resgatar expressões portuguesas contraria o texto, que afirma ser a forma portuguesa apenas superficial. A função de decodificar rituais ignora que a língua é usada para realizar os rituais, não para traduzi-los. Por fim, o texto expressamente diz que a língua não pertence a nenhuma nação africana política atual, afastando qualquer relação com o léxico africano contemporâneo.

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