Muitos pensam que narrativa curta é sinônimo de conto, perdendo de vista gêneros que, por tradição ruim, continuam à margem da nobreza. Acontece que o conto tem uma densidade específica, centrando-se na exemplaridade de um instante da condição humana, sem que essa exemplaridade se refira à valoração moral, já que uma grande mazela pode muito bem exemplificar uma das nossas faces. A crônica não tem essa característica. Conservou a marca do registro circunstancial feito por narrador-repórter que relata um fato para muitos leitores que formam um público determinado.
Mas que público é esse? Sendo a crônica uma soma de jornalismo e literatura (daí a imagem do narrador-repórter), dirige-se a uma classe que tem preferência pelo jornal em que ela é publicada, o que significa uma espécie de censura ou, pelo menos, de limitação: a ideologia do veículo corresponde ao interesse dos seus consumidores, direcionados pelos proprietários dos periódicos e/ou pelos editores-chefes da redação. Ocorre ainda o limite de espaço, uma vez que a página comporta várias matérias, o que impõe a cada uma delas um número restrito de laudas, obrigando o redator a explorar, da maneira mais econômica possível, o pequeno espaço de que dispõe. É dessa economia que nasce sua riqueza estrutural.
SÁ, J. A crônica. São Paulo: Ática, 1987 (adaptado).
De acordo com esse texto, o aspecto tecnológico que influencia a composição do gênero crônica advém da
A questão avalia a compreensão de gêneros textuais, especificamente as características da crônica e os fatores que determinam sua forma.
O texto afirma que a crônica é publicada em jornais, onde a página comporta várias matérias, impondo um número restrito de laudas a cada uma delas. O autor destaca que é justamente dessa limitação física do espaço no suporte (o jornal) que nasce a riqueza estrutural da crônica — a obrigação de ser econômica no uso do espaço disponível é um fator de natureza tecnológica/material que molda o gênero.
A alternativa correta é a que menciona a restrição espacial do suporte, pois o texto é explícito ao dizer que o limite de espaço obriga o redator a explorar, da maneira mais econômica possível, o pequeno espaço de que dispõe.
As demais alternativas referem-se a aspectos mencionados no texto, mas com outra função: a conexão ideológica diz respeito à relação entre o veículo e seu público; a densidade temática é característica do conto, não da crônica; a ênfase no público leitor é um traço da crônica, mas não um aspecto tecnológico; e a apresentação de moral é justamente o que o texto afasta da noção de exemplaridade literária.
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