Questão 41 — ENEM 2025 (Linguagens)

TEXTO I

Origem, tradição e resistência

Foi sentada em seu banco de quartzo que a avó do universo, moradora da Maloca do Céu, criou os homens, os animais, a terra e as águas. O banco foi entregue aos ancestrais dos atuais Tukano, que passaram a reproduzi-lo em madeira. O mito Tukano — povo do noroeste da Amazônia que ainda hoje fabrica os bancos em seu estilo tradicional — indica o lugar dos bancos entre os objetos sagrados, ao mesmo tempo parte do universo primitivo e fonte do poder de criação. A presença nos mitos de origem de alguns povos atesta a antiguidade da arte de talhar bancos: os primeiros registros do uso desses objetos entre ameríndios das terras baixas da América do Sul, do Caribe e da América Central datam de, pelo menos, 4 mil anos.

ASSIS, R.; MENDES JR., L. Bancos indígenas do Brasil. São Paulo: BEI Comunicação, 2013.

TEXTO II

KAMAYURÁ, Y. Tatu Kamayurá 1. Madeira, 61 × 24 × 20 cm. Xingu (MT), s.d.

Disponível em: www.colecaobei.com.br. Acesso em: 15 out. 2024.

Os textos I e II demonstram, na confecção dos bancos, uma íntima relação de sacralidade entre o ser humano e a natureza, perceptível por meio da

Resolução

A questão avalia a capacidade de relacionar diferentes linguagens — texto verbal e imagem — para identificar como a produção artística indígena expressa uma visão de mundo sagrada que integra ser humano e natureza.

O Texto I apresenta o mito Tukano, no qual os bancos são objetos sagrados ligados à criação do universo, e destaca que essa tradição de talhá-los em madeira foi herdada dos ancestrais e perpetuada até hoje. O Texto II mostra um banco esculpido em forma de tatu, animal da fauna amazônica, com grafismos geométricos em seu corpo.

A alternativa correta aponta para a manutenção da herança cultural com atribuição de nova função a elementos da fauna. Essa opção articula perfeitamente os dois textos: o Texto I demonstra que a confecção dos bancos é uma tradição transmitida de geração em geração (herança cultural), e o Texto II exemplifica como um animal real — o tatu — recebe nova função ao ser transformado em objeto de uso cotidiano e sagrado (banco). Essa transformação expressa a relação de sacralidade entre o humano e a natureza, pois o animal não é simplesmente imitado, mas integrado à vida ritual e utilitária da comunidade.

As demais alternativas são incorretas pois: a representação não expressa domínio sobre a natureza, mas integração sagrada com ela; os traços do animal são claramente preservados (o tatu é perfeitamente reconhecível); os grafismos, por si só, não expressam a relação de sacralidade entre humano e natureza que os dois textos juntos constroem; e a figura representada é um animal real, não fantástico.

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